04.07.98
Sábado
São Paulo – SP
É tradição começar um diário de viagem explicando quem iria viajar, o porquê, os planejamentos etc. Prefiro não fazer assim. Irei direto aos fatos, e, se for conveniente, farei inserções de comentários e informações.
Para começar já com emoção, chegamos na Rodoviária do Tietê na hora em ponto: 18h45. Entramos no ônibus esbaforidos, quase sem despedir-nos dos "entes queridos", no meu caso de minha irmã Marilia, de minha mãe e de minha namorada Úrika. No caso do Alberto, de sua mãe, dona Yone e seu pai Alberto. No caso de Nando, ninguém, afinal ele viera junto comigo. Saímos tão atrasados que nem houve tempo dele se despedir de sua mãe, dona Noêmia. O adeus foi rápido, por meio de uma ligação de celular.
Já no ônibus, depois de acenos e beijos esvoaçantes, finalmente entramos no asfalto. Ou quase. Por algum motivo inexplicável, a Marginal Tietê estava parada. Ficamos estáticos por bons quinze minutos. Tomamos nosso rumo só às 20 hs, momentos antes de ficarmos impacientes. Finalmente, a caminho de Corumbá, Mato Grosso do Sul! Depois, Sta. Cruz de La Sierra, Cochabamba, La Paz, Cuzco, Machu Picchu, Santiago...Pelo menos esta era a rota planejada. Se vamos conseguir cumprí-la ou não, já é outra história.
Um belo ônibus o nosso. Viação Andorinha, classe executiva, banco reclinável e ar condicionado. Bem acomodados, eu e Nando nas poltronas 21 e 22, respectivamente, e Alberto ao lado, na 24. Estávamos animados e ansiosos, falando besteira e lembrando se não havíamos esquecido nada. Claro que esquecemos: a lanterna do Alberto, os endereços dos parentes para mandar cartão postal e outros detalhes.
Tentamos dormir, afinal a viagem estava prevista para durar 22 horas. Como estava cansado e com o sono atrasado, achei que seria fácil dormir. Que nada: nem com o walkman ligado no máximo consegui cochilar. Logo, a primeira parada, no Rodoserv da Castelo Branco. Jantamos um sanduíche e compramos garrafas d’água. O Nando traçou um espetinho de frango. Tudo muito caro. Pensei em economizar, por pura pão-durice de minha parte. Reembarcamos e enfim consegui apagar um pouco. Acordei quando passamos por Assis. Cochilava e acordava de meia em meia hora. Realmente o pior jeito de se dormir é sentado. Minhas juntas doíam e tudo o que eu queria era esticar as pernas. Às 3hs, consegui o que eu queria. Por algum motivo que não entendemos, o ônibus parou em um posto em Presidente Prudente. Uma rápida troca de veículos. O frio era cortante. Pelo menos, não trouxe agasalho à toa, pensei na hora. Vi minha mala no bagageiro e me tranquilizei. Embarquei, me ajeitei, coloquei o fone de ouvido e finalmente dormi. Mal.
Acordei com uma luz intensa vinda da janela esquerda. O Sol, Astro Rei, nascia, trazendo o novo dia com estilo.