O
Fenômeno
Vai para o Leste!
| 3:48:51 PM por Alberto Alerigi Jr. |
| LIVRO-Bola de cristal da ciência moderna até 2100 Por Alberto Alerigi Jr O problema das previsões é que para serem bem feitas elas precisam de um bocado de trabalho para terem um mínimo de credibilidade. Afinal, e sem querer apelar para filosofia barata, para conhecer o futuro é preciso antes perceber a realidade que cerca o presente. Foi isso o que fez o professor de física teórica da Universidade de Nova York Michio Kaku, em seu livro “Visões do Futuro: Como a Ciência Revolucionará o Século 21” (ed. Rocco, 410 pags). Resultado de 10 anos de entrevistas com cerca de 150 cientistas de várias áreas do conhecimento, Visões do Futuro mostra de maneira bastante otimista como três revoluções – quântica, informática e biomolecular – poderão transformar o mundo em de 2020 a 2100. Computadores incrivelmente poderosos e invisíveis, integrados à paisagem, criados robóticos, genética como ferramenta de cura, ciborgues, inteligência artificial, a “manipulação quase à vontade da matéria, da vida e da mente” -- considerados por Kaku como os três os três pilares da ciência moderna – são descritos como possibilidades bastante concretas de saírem dos laboratórios do mundo para integrar o cotidiano da humanidade num futuro não muito distante. Escrito de maneira bastante didática, Kaku passa boa parte do tempo fundamentando como os avanços da física gerarão revoluções no futuro, assim como o fizeram com a revolução da biologia – que obteve instrumentos de observação de células a moléculas – e com a revolução da informática – que conseguiu a miniaturização cada vez maior dos transistores. O autor aposta na física quântica desenvolvida por Planck, Einstein e tantos outros cientistas deste século como a chave para a solução de problemas como supercondutores à temperatura ambiente, que teriam entre inúmeras aplicações a criação de cabos que transportariam energia elétrica praticamente sem perdas, e viagens espaciais tripuladas a outros planetas. Porém, um dos problemas das previsões científicas é que elas não prestam muita atenção em uma questão aparentemente simples: as pessoas vão querer usar a tecnologia disponível? Muitas das maravilhas descritas no livro de Kaku no campo da medicina podem sim ser bem aceitas pela sociedade para a própria melhoria de seu bem-estar. Mas para que as pessoas vão querer ter um assistente eletrônico implantado na cabeça capaz de interromper uma refeição de seu dono para alerta-lo que a macarronada da mama tem muito colesterol? Kaku, em seu papel de cientista visionário, tampouco se preocupa de maneira relevante com as conseqüências sociais do desenvolvimento da ciência no campo da clonagem humana, do desemprego cada vez maior com o uso de computadores cada vez mais poderosos e tampouco com o fato de que uma parcela considerável da população mundial morre de fome ou está em guerra com o vizinho. Otimista, o autor explica que grande parte dos problemas atuais serão resolvidos quando a humanidade começar a deixar de ser uma civilização tipo 0 – termo emprestado do astrônomo russo Nikolai Kardashev e do físico norte-americano Freeman Dyson, para se transformar em “civilização planetária”, tipo 1. Nesse ponto, a humanidade passará a ser de fato uma aldeia global organizada no sentido de conseguir obter energia de todo o planeta e não só de plantas mortas ou de rios represados, uma civilização “que teve de deixar de lado a maior parte das lutas de facção, religiosas, sectárias e nacionalistas”. Publicado originalmente em 1997 nos Estados Unidos, alguns dados contidos em “Visões do Futuro”, principalmente no campo da informática ficaram desatualizados na edição publicada este ano pela Rocco. Entre alguns inconvenientes, o autor, por exemplo, não previu o baque que a Internet tomou em abril do ano passado, quando o mercado de ações ponto.com teve baixas históricas, e a crise que se seguiu no setor até agora. Ossos do ofício, a bola de cristal às vezes pode falhar também. |