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Penetrando
em terra estrangeira
Acordamos antes das sete, fechamos a conta
no hotel e saímos em nossa jornada rumo ao desconhecido. Pegamos o
ônibus que faz o caminho Corumbá-Puerto Quijarro (um circular caindo
aos pedaços) e chegamos em 15 minutos. Preste atenção ao caminho,
porque você terá que desembarcar assim que o ônibus chegar na fronteira
(senão você descerá dentro do país como clandestino, como aconteceu
conosco). Seja bem vindo a Puerto Quijarro, cidade-fronteira do Brasil
com a Bolívia. Prepare seu espanhol enferrujado, porque a partir de
agora ninguém mais fala português!
A
primeira coisa a fazer é ir ao posto de imigração que fica logo na
entrada. Você terá que apresentar seu passaporte e o comprovante de
vacinação contra febre amarela. O fiscal só permitirá sua entrada
se você tiver tomado a vacina dez dias antes. Caso contrário, ele
irá sugerir que você volte para Corumbá e espere os dias que faltam,
ou que você pague uma pequena "propina" para passar. Não
se espante: isso é realmente muito comum por aqui. Você tem duas opções:
ou é honesto, dá meia volta e fica mais uns dias em Corumbá, ou entra
no clima "terra de ninguém" e molha a mão do fiscal (ele
nos cobrou R$ 10 por pessoa).
Troca-troca de moedas
Você já está na Bolívia! Com
o passaporte carimbado com o visto de 30 dias e legalizado, você precisará
trocar dólares por dinheiro boliviano. Isso poderá ser feito com pessoas
chamadas "cambistas". Eles são fáceis de serem reconhecidos:
ficam circulando nas ruas, próximos a pontos de comércio, com um bolo
de dinheiro na mão, uma bolsinha de couro pendurada e um olhar matreiro
e esperto. Troque pouco dinheiro por vez (tipo uns 50 dólares), mas
faça uma pequena pesquisa antes de fazer o negócio, porque a cotação
pode variar muito de um cambista para o outro. A moeda local se chama
Peso Boliviano, mas todos chamam de "Boliviano". Em julho
de 98, um dólar equivalia a 5,5 bolivianos (um pouco mais, um pouco
menos). Tudo pode ter mudado, então o melhor é pesquisar. Carregue
sempre uma calculadora e faça contas para não ser passado pra trás.
A partir de agora são três moedas ao mesmo tempo e é quase impossível
não se confundir.
Passagem para a morte
Com
grana boliviana no bolso, pegue um táxi (não
esqueça de pechinchar) até a estação de Ferrocarril, e compre
passagens para Sta. Cruz de La Sierra no Trem da Morte. Não
acredite em ninguém que já tenha viajado ou em especulações: os horários
do trem são todos malucos e mudam o tempo todo.
Normalmente são vendidas passagens com o mesmo número de assento o
para o mesmo horário e coisas do tipo. O negócio é contar com a sorte.
O tiquete custa entre 15 e 20 dólares, dependendo do nível de conforto
que você preferir. O engraçado é que a primeira classe não é a mais
luxuosa, como muitos podem pensar. É justamente o contrário: a primeira
classe é a mais precária, a segunda é a média e a "Pullmann"
é a mais "luxuosa". Nós compramos (por engano) passagens
Super Pullmann com serviço "Bracha", ou seja, até tivemos
algum conforto. Pagamos Bs 110,00 cada um.
Como a viagem será muito cansativa, o ideal é comprar as passagens
para o dia seguinte (assim você poderá descansar e ir se acostumando
com o idioma). Se fizer isso, procure um local para pernoitar. Só
há uma grande avenida, e nela há
diversos "alojamientos" baratinhos. Nós ficamos no Alojamiento
Cochabamba, a Bs 20,00/pessoa. Não espere muito luxo: todos os
hotéis são muito simples e sem baño
privado, então escolha aquele que você for mais com a cara ou
inspirar mais confiança.
Passeando
Uma
das coisas interessantes de Puerto Quijaro é o clima da cidade, bem
de "velho-oeste". Para passar o tempo, visite a Zona Franca Central Aguirre,
que fica no final da avenida principal, em Puerto Aguirre (dá pra
ir a pé). É uma espécie de shopping enorme, onde podem ser encontrados
todo o tipo de aparelho eletrônicos, tênis, roupas e guloseimas importadas,
tudo cobrado em dólar. Como o valor do dólar não estava tão alto há
uma ano, nós pudemos comprar algumas coisas por um preço legal. Se
estiver com o dinheiro contado, passe longe daqui para não cair em
tentação. Também dá para tirar ótimas fotos na estação de trem empoeirada.
Além disso, há também Puerto Suarez, uma vila bem próxima e pacata
(10 minutos de táxi, por US$ 3, negociáveis). Lá você poderá comer
um peixinho frito
enquanto aprecia a bela vista do Rio Paraguai. À noite, prepare o
cobertor: o frio aperta e atrapalha o sono.
Continue e embarque no Trem da Morte!
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Puerto Quijaro
País: Bolívia/divisaCorumbá
Pop: 15.000 (aprox.)
Clima: muito quente de dia; frio de madrugada;
Caract: pode ser descrita como uma avenida montada
ao longo dos trilhos ferroviários. A população é composta por uma
mistura de bolivianos com brasileiros.
Puerto Suarez
País: Bolívia
Pop: 15.000 (aprox.)
Clima: fresco de dia; vento frio de madrugada;
Caract: Vila pequena e com pouco movimento. Fica
à beira do Rio Paraguai.

Cambio: 1 real = 5 bolivianos |