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Pablo
Miyazawa, 23
jornalista, músico
Viagem
de aventura? Machupicchu? Ficar um mês camelando pela Bolívia?
E eu lá quero ir pro Peru?
Eu não queria nada disso. Para falar a verdade, eu nunca havia
imaginado que era possível fazer uma viagem assim. Tinha ouvido
vagamente falar de cidade perdida ou li algo sobre a trilha Inca. Mas
só.
Meu ideal de aventura de mochila resumia-se à Europa e olhe lá.
A Ásia, talvez. Mas encarar a América Latina, aqui ao lado?
Pra quê? É tão perto, não devia ter nada de
especial. Uma cidadezinha em ruínas, umas pessoas estranhas, comida
exótica e intragável. Isso lá me interessava?
Mas meus amigos me convenceram. E nós fomos. E foi a melhor coisa
que fiz em toda minha vida, por enquanto.
Foram 33 dias longe de casa. Com pouco dinheiro. Cada dia em um lugar
diferente, sem saber onde estaríamos no dia seguinte. Cada lugar
lindo que eu nem imaginava que existisse.
Este sim é o meu ideal de liberdade.
E em 2002, tem mais. pablo@ofenomeno.com
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Luis
Fernando Tinoco, 23
jornalista, aventureiro amador
Pobreza, poeira, perigo,
desconforto. Estas são algumas das atrações que países
como Bolívia e Peru oferecem aos viajantes que decidem para lá
ir.
Ao planejar
as próximas férias, se lembre do calor, beleza e alegria
do Nordeste brasileiro. Pense na beleza, conforto e sofisticação
da Europa Ocidental. Faça uma lista do que poderia ver, consumir
e trazer para o Brasil dando um pulo em Nova York.
Feito isso,
ponha na balança.
Nós três
decidimos pegar um metrô até a Rodoviária do Tietê
e um ônibus não leito para Corumbá, no fim do estado
do Mato Grosso e iniciar, a partir daí, uma jornada de surpresas,
fascínio e pura aventura.
Poderia ficar
falando durante horas dos motivos de tal decisão. O dinheiro, pode
ter certeza, não é o mais importante, pois com um pouco
de esforço é possível viajar gastando pouco para
qualquer lugar do planeta.
Que tal um questionamento?
Por que viajar?
Alguém
pode dizer que é para tirar fotos, comprar artigos importados ou
realizar algum tipo de sonho de infância. Para mim, o motivo é
um só: poder usar os cinco sentidos ao mesmo tempo para captar
um mundo que não é o seu.
É isso
aí, se tenho algum depoimento para dar é apenas este. Pense
bem antes de decidir seu destino. Não escolha por catálogos
de agências de turismo. Procure lembrar um pouquinho das longínquas
aulas de geografia e história do colégio e, sem receio,
aventure-se! nando@ofenomeno.com
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Alberto
Alerigi Jr, 23
jornalista, aventureiro amador
Viajar
para longe, ficar distante de tudo com o que você normalmente tem
contato e encarar uma nova realidade que se desdobra diante de seus olhos
de segundo a segundo. É disso que eu gosto.
Quando
viajamos nossos sentidos se aguçam, tudo fica mais intenso - alegria,
dor, saudade, fome, satisfação - e você se sente mais
vivo.
Viajar
é uma forma de renovação que retira a crosta de mesmice
que se acumula sobre nós com o tempo. Sempre trazemos novidades,
conhecemos pessoas, coisas e lugares e sempre temos novas e boas histórias
para contar.
Quando
decidi aceitar fazer parte dessa empreitada não tinha a menor idéia
do que iria encontrar, mesmo tendo cansado de ver imagens e lido sobre
todos os lugares por onde fomos.
Passei
por muita coisa - quase perdi todo o dinheiro no começo, fiquei
muito doente no dia do meu aniversário, passei frio, fiquei com
medo de sermos sequestrados - mas valeu. Dizem que "a primeira vez
a gente nunca esquece" e isso é verdade. Muita gente já
passou por onde viajamos, mas ninguém tem as minhas lembranças
e esse é um outro motivo que por si só já é
suficiente para fazer alguém tirar a bunda da cadeira e conhecer
o mundo. alberto@ofenomeno.com
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